ainda é cedo
e nem toda a luz no céu me traz alegria.
pois vivo alegre é na noite.
na lua.
no escuro que me anuncia sua chegada.
nessa hora de recomeço
penso no que fazer para a reconquista.
pois sei que a verei novamente, pela primeira vez.
teu sorriso? sei que terei amanhã,
um novo, novamente
em outra face, com outro olhar.
penso em como falar femininamente ao ouvido da mulher
gravando em sua alma de forma indelével
- “Te amo devagar e urgentemente”
“la mer...”
Sei de amanhã...
... à tarde, esperarei novamente a lua
desta vez, direi a ela o quanto está linda
direi do espaço que ocupa nesta terra árida
pedirei para não se esquecer de tudo isso.
pois é só isso... e eu não esqueço.
Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008
Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008
tempo passando
semana passada
beijos doces desejos
mês passado
presentes querer esperança
ano passado
lembrança euforico amor
dois anos passados
silêncio saudade e dor
beijos doces desejos
mês passado
presentes querer esperança
ano passado
lembrança euforico amor
dois anos passados
silêncio saudade e dor
Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
Pouco Andante
Me sinto cavaleiro andante
Pouco errante, pouco errado, pouco só
Em meu inventário pouco vento, pouco falar,
Pouco tamanho, pouca voz
Pouca lágrima, pouco andar
Pouco sentir para tanta natureza
Pouca beleza para pouco olhar
Pouco errante, pouco errado, pouco só
Em meu inventário pouco vento, pouco falar,
Pouco tamanho, pouca voz
Pouca lágrima, pouco andar
Pouco sentir para tanta natureza
Pouca beleza para pouco olhar
Domingo, 26 de Outubro de 2008
Outubro
Após longa caminhada vejo a chegada de Outubro.
Outro ano se completa enquanto outro se inicia.
Terei todas as datas novamente, do natal a primavera
Terei a fala tua que se silencia, outra jornada de esperança
Terei outro dia como criança, outros choros de saudade
Não terei a mesma idade, outra água outro rio.
Terei outro desafio, outra casa a construir
Não terei aonde ir, outra lua para ver.
Terei como crescer, pois chegando Outubro
Outro ano se inicia enquanto outro se completa
Terei outra busca, outra esperança perdida
Terei outra porta aberta, tua fala de menina.
Terei nova caminhada para trás
Terei o que mais me conforta
O saber que Outubro virá, com novas datas
Outro tempo para ser Outro tempo
Outro tempo para (vi)ver
Outro ano se completa enquanto outro se inicia.
Terei todas as datas novamente, do natal a primavera
Terei a fala tua que se silencia, outra jornada de esperança
Terei outro dia como criança, outros choros de saudade
Não terei a mesma idade, outra água outro rio.
Terei outro desafio, outra casa a construir
Não terei aonde ir, outra lua para ver.
Terei como crescer, pois chegando Outubro
Outro ano se inicia enquanto outro se completa
Terei outra busca, outra esperança perdida
Terei outra porta aberta, tua fala de menina.
Terei nova caminhada para trás
Terei o que mais me conforta
O saber que Outubro virá, com novas datas
Outro tempo para ser Outro tempo
Outro tempo para (vi)ver
Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008
Decisão
Desisto
Não existe a princesa que eu perseguia
Aquela que me beijaria a face, me transformaria em sapo
Não existe se quer, a Lagoa onde cantaríamos odes a lua.
Desisto da fada madrinha que me tocaria a cabeça
Aquela que me transformaria em boneco, falante
Dando-me a vida que sempre quis e me ensinando a falar verdades
Desisto do era uma vez do reino encantado
Decido que vou gostar do padrasto que não me quer
Decido que construirei o meu feliz par a sempre
Sem esperar que a estória chegue ao fim
Não existe a princesa que eu perseguia
Aquela que me beijaria a face, me transformaria em sapo
Não existe se quer, a Lagoa onde cantaríamos odes a lua.
Desisto da fada madrinha que me tocaria a cabeça
Aquela que me transformaria em boneco, falante
Dando-me a vida que sempre quis e me ensinando a falar verdades
Desisto do era uma vez do reino encantado
Decido que vou gostar do padrasto que não me quer
Decido que construirei o meu feliz par a sempre
Sem esperar que a estória chegue ao fim
Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008
Cantinho
O canto que canto é silencioso
É um canto, apenas.
Um canto, do canto da minha alma.
Todo teu. Para senti-lo, no canto dos olhos.
É um canto do coração
Do canto menino desse homem que sou.
Um cantinho. Não por ser pequeno, pelo grande carinho.
Quase um canto meu, no teu canto
Que não vê canto mais lindo que o teu!
É um canto, apenas.
Um canto, do canto da minha alma.
Todo teu. Para senti-lo, no canto dos olhos.
É um canto do coração
Do canto menino desse homem que sou.
Um cantinho. Não por ser pequeno, pelo grande carinho.
Quase um canto meu, no teu canto
Que não vê canto mais lindo que o teu!
Terça-feira, 26 de Agosto de 2008
esperar outra vez
é hora de vir e ela nao veio.
outro curso, talvez
outro rio, outra via.
talvez outro dia, outro ar.
esperarei mais um mês
findando esse tempo
renovarei a esperança
por certo ela há de chegar.
se não, esperarei outra vez
outra hora, outro mês
outro curso, talvez
outro rio, outra via.
talvez outro dia, outro ar.
esperarei mais um mês
findando esse tempo
renovarei a esperança
por certo ela há de chegar.
se não, esperarei outra vez
outra hora, outro mês
Quarta-feira, 30 de Julho de 2008
Tua Imagem
Que farei da imagem tua em que minha vida habitava?
Que farei dos caminhos por onde andavas, sulcando minha terra?
E da guerra que travava para te buscar?
E das flores, do chapéu? Que farei do céu, da boca, e dos beijos que quero dar?
Que farei do colo que imaginava, já que a ida de tua imagem levou também a árvore que seria nossa sombra?
Que farei sem tua imagem, minha construção, se uma nova me apresentas e não me deixas imaginar.
Que farei dos caminhos por onde andavas, sulcando minha terra?
E da guerra que travava para te buscar?
E das flores, do chapéu? Que farei do céu, da boca, e dos beijos que quero dar?
Que farei do colo que imaginava, já que a ida de tua imagem levou também a árvore que seria nossa sombra?
Que farei sem tua imagem, minha construção, se uma nova me apresentas e não me deixas imaginar.
Segunda-feira, 21 de Julho de 2008
Perda
sim, também perdi alguém.
depois alguém, que nem me pertencia,
e depois outro alguém, que não pôde me conhecer
perdi como se fosse minha, a vida
perdi outro dia, outro alguém na vinda
como a mim mesmo, perdi na ida
com dor que desconhecia.
e agora não há a quem contar
não há para quem cantar
nem sequer poesia de aprender perder
depois alguém, que nem me pertencia,
e depois outro alguém, que não pôde me conhecer
perdi como se fosse minha, a vida
perdi outro dia, outro alguém na vinda
como a mim mesmo, perdi na ida
com dor que desconhecia.
e agora não há a quem contar
não há para quem cantar
nem sequer poesia de aprender perder
Segunda-feira, 14 de Julho de 2008
Das ilusões
Das ilusões que tenho
retiro os sonhos, passados
dias calados, o frio
beijo não dado, o cenho
tez cansada, a idade
da pedra, que tenho
retiro caminhos, passados
dores do chute, dores
dos amores, desilusões.
Das ilusões que tenho, retiro tudo
deixo apenas a lua, intocada
a flor sedenta da água, que não possuo
deixo as penas, o resto e pouco que sou.
retiro os sonhos, passados
dias calados, o frio
beijo não dado, o cenho
tez cansada, a idade
da pedra, que tenho
retiro caminhos, passados
dores do chute, dores
dos amores, desilusões.
Das ilusões que tenho, retiro tudo
deixo apenas a lua, intocada
a flor sedenta da água, que não possuo
deixo as penas, o resto e pouco que sou.
Terça-feira, 17 de Junho de 2008
Palavra esperada
Seria serena a vida
Não fosse essa peça pregada
Não fosse minha boca calada pedindo perdão.
Dissesse eu a palavra esperada, estaríamos juntos na estrada outra vez.
Beijasse eu tua face
Pusesse teus olhos em mim, teria eu a visão da flor
Saberia o que é coração
Faria eu oração. Pediria que amasses.
Seria serena a vida
Não fosse eu quem eu sou
Não fossem meus olhos árida terra.
Houvesse eu me preparado para a guerra, a palavra esperada seria dita.
Beijasse eu tua face
Pusesse tua boca em mim, teria eu a fala do amor
Saberia o que é canção
Faria eu oração. Pediria não me deixasses.
... e serena seria a vida.
Não fosse essa peça pregada
Não fosse minha boca calada pedindo perdão.
Dissesse eu a palavra esperada, estaríamos juntos na estrada outra vez.
Beijasse eu tua face
Pusesse teus olhos em mim, teria eu a visão da flor
Saberia o que é coração
Faria eu oração. Pediria que amasses.
Seria serena a vida
Não fosse eu quem eu sou
Não fossem meus olhos árida terra.
Houvesse eu me preparado para a guerra, a palavra esperada seria dita.
Beijasse eu tua face
Pusesse tua boca em mim, teria eu a fala do amor
Saberia o que é canção
Faria eu oração. Pediria não me deixasses.
... e serena seria a vida.
Domingo, 1 de Junho de 2008
Tropeço
Meu coração se apegou a um novo sentimento
E a poesia não pode me ajudar.
Nem mesmo o saber as coisas que sei.
Não me auxilia tudo o que falei, ou deixei de falar.
O tropeço fora mais forte dessa vez
E a dor mais doída
Tivesse eu olhado a pedra na estrada
Tivesse eu mais cuidado com a vida
Palavra triste não seria falada
Tristeza tamanha não seria sentida
Há lágrimas que não verto
Sou árido, e o choro poderia me aliviar
Mas o alívio seria meu, apenas
E por essa terra seca não valeria chorar.
E a poesia não pode me ajudar.
Nem mesmo o saber as coisas que sei.
Não me auxilia tudo o que falei, ou deixei de falar.
O tropeço fora mais forte dessa vez
E a dor mais doída
Tivesse eu olhado a pedra na estrada
Tivesse eu mais cuidado com a vida
Palavra triste não seria falada
Tristeza tamanha não seria sentida
Há lágrimas que não verto
Sou árido, e o choro poderia me aliviar
Mas o alívio seria meu, apenas
E por essa terra seca não valeria chorar.
Quinta-feira, 22 de Maio de 2008
Pudesse voltar...
A lua ainda sorria no céu quando partimos eu e a tristeza
A flor orvalhada olhava-me, chorava minha ida a outra terra
O caminho que vi não me encantou
Nem mesmo a música que ouvi.
Não me encantaram a montanha, as águas e o sol surgindo
Não me encantou o sentimento menino.
E a paz que não senti, me pedia para voltar.
Deixei que as lágrimas caíssem a umedecer minha face, essa terra insossa.
Ah! Pudesse eu ser e não estar...
Pudesse ver e não querer...
Pudesse voltar ao tanto de felicidade que tinha...
Pudesse voltar ao tanto de felicidade que dava, eu voltava.
A flor orvalhada olhava-me, chorava minha ida a outra terra
O caminho que vi não me encantou
Nem mesmo a música que ouvi.
Não me encantaram a montanha, as águas e o sol surgindo
Não me encantou o sentimento menino.
E a paz que não senti, me pedia para voltar.
Deixei que as lágrimas caíssem a umedecer minha face, essa terra insossa.
Ah! Pudesse eu ser e não estar...
Pudesse ver e não querer...
Pudesse voltar ao tanto de felicidade que tinha...
Pudesse voltar ao tanto de felicidade que dava, eu voltava.
Sexta-feira, 25 de Abril de 2008
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
Outra margem
Na outra margem
Paisagem bela, temperatura amena, chuva anunciada
Uma nova estrada com pedras que não conheço
Um outro começo, me levará a outro fim.
Surpreso percebo:
Não era assim que via o lado de cá, quando lá estava?
Era sim.
Paisagem bela, temperatura amena, chuva anunciada
Uma nova estrada com pedras que não conheço
Um outro começo, me levará a outro fim.
Surpreso percebo:
Não era assim que via o lado de cá, quando lá estava?
Era sim.
Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008
Prudencia
preciso não dormir
enquanto é dia
aproveitar o caminho que vejo
fazer as pazes num beijo
encher de azeite a candeia e colocá-la no velador
[esvaziar o desejo, encher-me de amor]
pois, não sei a hora
mas o noivo há de vir
enquanto é dia
aproveitar o caminho que vejo
fazer as pazes num beijo
encher de azeite a candeia e colocá-la no velador
[esvaziar o desejo, encher-me de amor]
pois, não sei a hora
mas o noivo há de vir
Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
Sonhos
era um sonho
desses que agente sonha quando menino, quase inocente
um sonho onde alguém nos visita trazendo um abraço de saudade
trazendo para perto, quem mora longe
um sonho daqueles em que sorrimos dormindo
que falamos dormindo e todos em nossa casa vêem nossa face de quem sonha
um sonho daqueles que sonhamos mesmo depois de acordados
que nos acompanham durante o dia [lembranças]
durante dias, como um sonho
desses que agente sonha quando menino, quase inocente
um sonho onde alguém nos visita trazendo um abraço de saudade
trazendo para perto, quem mora longe
um sonho daqueles em que sorrimos dormindo
que falamos dormindo e todos em nossa casa vêem nossa face de quem sonha
um sonho daqueles que sonhamos mesmo depois de acordados
que nos acompanham durante o dia [lembranças]
durante dias, como um sonho
Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
Temores
Do vinho temo o sabor
Temo saber aonde irei caso o beba
Caso conceba em pecado, pecando, original
Temo a sede e o querer mais
Temo o calor
Do calor temo a fusão
Temo saber aonde irei caso me dissolva
Caso a sede me visite
Temo não haver Oasis, vento e nuvens
Temo morrer
Da morte temo o saber
O sabor das coisas, aonde irei caso não dê conta
Caso não faça o que precisa ser feito
Temo não haver tempo
Temo o temer
[pois sei das coisas que preciso saber]
Do temor...
... no temor é que busco forças.
Temo saber aonde irei caso o beba
Caso conceba em pecado, pecando, original
Temo a sede e o querer mais
Temo o calor
Do calor temo a fusão
Temo saber aonde irei caso me dissolva
Caso a sede me visite
Temo não haver Oasis, vento e nuvens
Temo morrer
Da morte temo o saber
O sabor das coisas, aonde irei caso não dê conta
Caso não faça o que precisa ser feito
Temo não haver tempo
Temo o temer
[pois sei das coisas que preciso saber]
Do temor...
... no temor é que busco forças.
Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Há tempo!...
Ah, Tempo!
Um ano se passou e eu não contei às noites, as luas
Não contei palavras ditas
Não contei as desditas vividas
Um ano passou e não contei a ninguém
Os dias, as horas, os sorrisos
Nem das estações lembrei.
Vi apenas à chegada de novembro,
O céu escuro, chuva anunciada.
Ah, tempo amigo!
Porque não se sentou comigo?
Porque insistiu em andar, quando queria eu sentar?
Porque passou, quando eu queria esperar outro tempo passar?
Porque não me deixou por dois ou seis segundos?
Prometi continuar com as rugas, idéias e fazeres
Prometi não buscar outros prazeres que me levem a morte
Prometi não pedir sorte, saúde ou prorrogação.
Tempo amigo
Deixa eu voltar ao colo
Antes que chegue o solo
Antes que seja outro o tom, o tempo
Antes que essa música chegue ao fim
Deixa!...
Há tempo, amigo...
Um ano se passou e eu não contei às noites, as luas
Não contei palavras ditas
Não contei as desditas vividas
Um ano passou e não contei a ninguém
Os dias, as horas, os sorrisos
Nem das estações lembrei.
Vi apenas à chegada de novembro,
O céu escuro, chuva anunciada.
Ah, tempo amigo!
Porque não se sentou comigo?
Porque insistiu em andar, quando queria eu sentar?
Porque passou, quando eu queria esperar outro tempo passar?
Porque não me deixou por dois ou seis segundos?
Prometi continuar com as rugas, idéias e fazeres
Prometi não buscar outros prazeres que me levem a morte
Prometi não pedir sorte, saúde ou prorrogação.
Tempo amigo
Deixa eu voltar ao colo
Antes que chegue o solo
Antes que seja outro o tom, o tempo
Antes que essa música chegue ao fim
Deixa!...
Há tempo, amigo...
Sábado, 17 de Novembro de 2007
Outros tempos
Nem sempre fomos assim
Sós, os dois.
Ela veste cetim, lê Neruda
Eu camisa e bermuda, canto e danço.
Pena de mim. Chora por me amar.
Eu, silencio sincero
Embora calada boca, olhos meus me traem
Trazem um bem, tão bem quero
....
E essa modorra que não passa.
Esse cansaço de graça que não me deixa rir.
Essa mão que pede o que possuía outrora.
O que me alegra e entristece?
O Saber. Não ser tempo de ir.
"Esses moços, pobres moços."
E essa música, que não vai embora
["Ah! Se soubessem o que eu sei”]
Sós, os dois.
Ela veste cetim, lê Neruda
Eu camisa e bermuda, canto e danço.
Pena de mim. Chora por me amar.
Eu, silencio sincero
Embora calada boca, olhos meus me traem
Trazem um bem, tão bem quero
....
E essa modorra que não passa.
Esse cansaço de graça que não me deixa rir.
Essa mão que pede o que possuía outrora.
O que me alegra e entristece?
O Saber. Não ser tempo de ir.
"Esses moços, pobres moços."
E essa música, que não vai embora
["Ah! Se soubessem o que eu sei”]
Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007
Como pôde?
Vai viajar?
Lembrou-se de deixar-me alimentos?
Cuidou de livrar-me dos tormentos que tua ausência me traz?
Beijou-me o suficiente para sentir falta de ar?
Fez tudo o que lhe cabia?
Tudo que podia?
E o adeus?
Acenará com o olhar de quem volta?
O que caberia em tua bagagem?
Que hora é a viagem? Avião ou trem?
Quem sabe ainda encontro passagem?
Ah, se me deixasse
Ah, se pudesse eu iria.
Deveria mesmo é proibir-te a ida...
Onde já se viu? Partir assim, tão feliz, enquanto fico.
Não ria. Não ria.
Como pode ser feliz sem ter-me por perto?
Lembrou-se de deixar-me alimentos?
Cuidou de livrar-me dos tormentos que tua ausência me traz?
Beijou-me o suficiente para sentir falta de ar?
Fez tudo o que lhe cabia?
Tudo que podia?
E o adeus?
Acenará com o olhar de quem volta?
O que caberia em tua bagagem?
Que hora é a viagem? Avião ou trem?
Quem sabe ainda encontro passagem?
Ah, se me deixasse
Ah, se pudesse eu iria.
Deveria mesmo é proibir-te a ida...
Onde já se viu? Partir assim, tão feliz, enquanto fico.
Não ria. Não ria.
Como pode ser feliz sem ter-me por perto?
Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007
Roupa Nova
Sigo como que para o alvo
Não conheço linha reta
Experimento novos caminhos novos
Nas novas sandálias
Novas histórias além do pó,
... além do tempo
... além do templo, do tento
Mantenho-me salvo, na túnica
Despreparado para a guerra
Eu, essa terra insossa, sal da terra
Necessito mesmo de roupa nova
Sapato velho
Preciso mesmo de música.
Não conheço linha reta
Experimento novos caminhos novos
Nas novas sandálias
Novas histórias além do pó,
... além do tempo
... além do templo, do tento
Mantenho-me salvo, na túnica
Despreparado para a guerra
Eu, essa terra insossa, sal da terra
Necessito mesmo de roupa nova
Sapato velho
Preciso mesmo de música.
Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007
Só por hoje
Só por hoje
Beijarei tua face doce com amor
Sem saber do sabor
Viverei a vida com vida
Terei de volta a ida
Onde não havia lamento na fala
E via a flor na flor.
Por hoje,
Esquecerei a mágoa esquecida
Saberei do fruto, o cremor
Só por hoje
Não farei o que quero
Não serei pequeno, menino
Não soprarei a chama subindo ao mezanino
Nem terei o sincero saber se me ama.
Por hoje,
Me terei como amigo
Calado falante
Pessoalmente espero
O mesmo
A mesma alegria de antes.
Beijarei tua face doce com amor
Sem saber do sabor
Viverei a vida com vida
Terei de volta a ida
Onde não havia lamento na fala
E via a flor na flor.
Por hoje,
Esquecerei a mágoa esquecida
Saberei do fruto, o cremor
Só por hoje
Não farei o que quero
Não serei pequeno, menino
Não soprarei a chama subindo ao mezanino
Nem terei o sincero saber se me ama.
Por hoje,
Me terei como amigo
Calado falante
Pessoalmente espero
O mesmo
A mesma alegria de antes.
Domingo, 28 de Outubro de 2007
Mudança de tempo
Ontem, o escuro quarto me permitia ver o céu
Sabia da presença da lua, mesmo sem vê-la
Via a tempestade que as nuvens anunciavam
Entrelinhas parecendo me apontar renovação
Caminho, em um escrito, deixado pela enxurrada
Sulcos da terra árida.
Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
Se homem feito fosse
Eu, menino,
Busco uma princesa para meus pensamentos
Como se fosse eu um sapo, necessitasse de um beijo para me transformar
Como se não precisasse ser salvo,
Como se não soubesse ser alvo,
Como se sua bela face suficiente fosse para eu amar
Eu, menino,
Recebi a chave
Mas da porta estou distante
Um poço, um fosso, uma ponte, uma torre para alcançá-la
E eu, nem cavalo tenho.
Apenas a espada
Que promove a divisão
Que não me traz paz, mas a guerra
Que me equilibraria sentimento e razão
Caso, eu menino, homem feito fosse
Caso, Eu menino Homem, homem feito, feito fosse.
Mas ai, seria outra a estória
Que eu, menino, não sei contar.
Busco uma princesa para meus pensamentos
Como se fosse eu um sapo, necessitasse de um beijo para me transformar
Como se não precisasse ser salvo,
Como se não soubesse ser alvo,
Como se sua bela face suficiente fosse para eu amar
Eu, menino,
Recebi a chave
Mas da porta estou distante
Um poço, um fosso, uma ponte, uma torre para alcançá-la
E eu, nem cavalo tenho.
Apenas a espada
Que promove a divisão
Que não me traz paz, mas a guerra
Que me equilibraria sentimento e razão
Caso, eu menino, homem feito fosse
Caso, Eu menino Homem, homem feito, feito fosse.
Mas ai, seria outra a estória
Que eu, menino, não sei contar.
Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007
Nascer da água
Ontem a chuva visitou-me
Por dentro
Matou-me a sede
Por fora
Tirou-me o calor
Trouxe-me pensamentos novos
Desses que temos quando renascemos da água e do espírito.
Eu, sem resistir,
Deixei invadissem meus olhos, suas luzes
Seus sons, meus ouvidos
E, sem medo, me pus a chorar um choro novo
Desses que temos quando renascemos da água e do espírito
Por dentro
Matou-me a sede
Por fora
Tirou-me o calor
Trouxe-me pensamentos novos
Desses que temos quando renascemos da água e do espírito.
Eu, sem resistir,
Deixei invadissem meus olhos, suas luzes
Seus sons, meus ouvidos
E, sem medo, me pus a chorar um choro novo
Desses que temos quando renascemos da água e do espírito
Quinta-feira, 4 de Outubro de 2007
Esperança do vôo
A poesia insiste, diariamente, em caminhar a meu lado
Chega toda menina, convida e espera, sorridente, um consentimento meu
E eu, menino, não aceito
Faço rodeios, ensaio uma prosa e a despeço
Vendo-a partir, me desfaço
Retomo meu jeito árido, penso na lua e sento-me
A beira da estrada, começo a sonhar
Nesse sonho
A poesia me aparece, menina sorridente, me convida a passear ao seu lado
E eu, menino, a abraço.
Consinto, me dissolvo e vou...
Vôo de mão dada,
Do alto, vejo partir a estrada
Retomo meu jeito, sem verso nem prosa
E espero ...
E espero...
... sentado
Chega toda menina, convida e espera, sorridente, um consentimento meu
E eu, menino, não aceito
Faço rodeios, ensaio uma prosa e a despeço
Vendo-a partir, me desfaço
Retomo meu jeito árido, penso na lua e sento-me
A beira da estrada, começo a sonhar
Nesse sonho
A poesia me aparece, menina sorridente, me convida a passear ao seu lado
E eu, menino, a abraço.
Consinto, me dissolvo e vou...
Vôo de mão dada,
Do alto, vejo partir a estrada
Retomo meu jeito, sem verso nem prosa
E espero ...
E espero...
... sentado
Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007
Ab Ovo
Embora noite,
Vejo melhor o dia que vem.
Há um sentido novo
Ensinando aos ouvidos, de ouvir, ouvirem
Amestrando as mãos, inquietas por um toque
Doutrinando os sentimentos, altibaixos, que ficaram
Os olhos, de ver, continuam aboticados. Fixos em tua imagem
O fato? não percebo os odores chegados de setembro
Apenas cheiro o perfume que criei para a imagem que tenho de ti
E das dores, a maior é não sentir o gosto teu
Embora noite
Há um sentido novo, Ab ovo, tomando conta de mim
Vejo melhor o dia que vem.
Há um sentido novo
Ensinando aos ouvidos, de ouvir, ouvirem
Amestrando as mãos, inquietas por um toque
Doutrinando os sentimentos, altibaixos, que ficaram
Os olhos, de ver, continuam aboticados. Fixos em tua imagem
O fato? não percebo os odores chegados de setembro
Apenas cheiro o perfume que criei para a imagem que tenho de ti
E das dores, a maior é não sentir o gosto teu
Embora noite
Há um sentido novo, Ab ovo, tomando conta de mim
Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007
Anteparto
agora?
agora preciso ir.
malas prontas, parto amanhã
eu estéril, incapaz de gestar
necessito abjungir de minha metade
e por isso, parto
satisfeito, nutrido, ambundante de quase tudo
no inverno, a estação
aguardo a chegada de setembro.
me levem a esperança, suas flores
para não partir com dores
para que chegue novembro farto.
neste cacimbo
satisfeito, nutrido, abundante de quase tudo
espero nimboso, um canto teu
agora preciso ir.
malas prontas, parto amanhã
eu estéril, incapaz de gestar
necessito abjungir de minha metade
e por isso, parto
satisfeito, nutrido, ambundante de quase tudo
no inverno, a estação
aguardo a chegada de setembro.
me levem a esperança, suas flores
para não partir com dores
para que chegue novembro farto.
neste cacimbo
satisfeito, nutrido, abundante de quase tudo
espero nimboso, um canto teu
Terça-feira, 21 de Agosto de 2007
Olhando bem
Olhando bem, de perto,
vê-se a marca de nascença
a curiosidade, a criança
e todo um mundo que me habita
[as cicatrizes da infância,
brincadeiras de rua,
o beijo recebido antes do sono inocente]
Olhando, bem de perto,
notam-se os conflitos, as angústias
os valores, as conquistas
a sexualidade, a juventude
e todo um mundo que se agita
[paquera na praça,
o beijo dado com gosto
a euforia, o andar bem-posto]
Olhando bem de perto,
é possível ver as rugas
os sulcos [das lágrimas caídas],
e também outras marcas [deixadas por outras vidas]
a tez vincada, os sorrisos muitos
e todo um mundo de conquistas
Olhando, bem...
bem de perto,
percebem-se em mim, os poros, as manias
tristezas e alegrias
e toda uma vida acumulada
[o andar arrastado
o tremor das mãos]
o olhar parado
olhando a caminhada...
... bem de perto
vê-se a marca de nascença
a curiosidade, a criança
e todo um mundo que me habita
[as cicatrizes da infância,
brincadeiras de rua,
o beijo recebido antes do sono inocente]
Olhando, bem de perto,
notam-se os conflitos, as angústias
os valores, as conquistas
a sexualidade, a juventude
e todo um mundo que se agita
[paquera na praça,
o beijo dado com gosto
a euforia, o andar bem-posto]
Olhando bem de perto,
é possível ver as rugas
os sulcos [das lágrimas caídas],
e também outras marcas [deixadas por outras vidas]
a tez vincada, os sorrisos muitos
e todo um mundo de conquistas
Olhando, bem...
bem de perto,
percebem-se em mim, os poros, as manias
tristezas e alegrias
e toda uma vida acumulada
[o andar arrastado
o tremor das mãos]
o olhar parado
olhando a caminhada...
... bem de perto
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