terça-feira, 17 de março de 2015

Volvere

Voltei!...
Como se houvesse partido
De volta, num caminho novo
Um novo caminhar.
Como que renovado
Outra alma, outro eu, outro estado
Como se fosse o tempo, passado
Como se não pudesse parar.

Como se o tempo tivesse chegado, voltei.
Como quem nasce da água, do espírito,
Alguém novo
De volta ao colo, liberto do solo
Agora em outro tom, outra música
Pois a tempo... é tempo de amar.
...
Eu, sem resistir,
Deixei invadissem meus olhos, suas luzes
Seus sons, meus ouvidos
E, sem medo, me pus a chorar um choro novo
Desses que temos quando renascemos da água e do espírito

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Escrevinhações

Escrevo sem arte, sem gosto
Quase um rabisco
Como se fosse tarde, de sol posto
Como agosto, intempestivo

Escrevo para que as letras alcancem minha vida
passada, limpa, descuidada
Escrevo para me tornar pacífico, ordeiro
Como cordeiro, com pastor
Como arte de ator, sem improviso
Presente
Transitivo

domingo, 14 de julho de 2013

Precisões

Preciso de uma canção que me recomponha
Preciso que esse medo me faça voar
Preciso de uma flor que me queira amar
Preciso que esse trilho ponha num trem
Preciso de letra que não me mate

Preciso que essa vida vá muito além
Preciso de uma prece que me leve a Deus
sem pressa, sempre em linha reta

terça-feira, 5 de março de 2013

Tempo da colheita

Hora de ir ao campo ver as dores que plantei
Todas crescidas com seus cheiros e historias
Nem habitavam minhas memorias, apenas o chão.
Presas me aguardam, me reconhecem, me acolhem
 
"Meus olhos se turvaram e nem por isso pranto derramei"...
Busquei as dores maduras plantadas em outros tempos
Dores belas, que cultivei com mais apego
Outras nem lembrava onde plantei – Íris, Amor Perfeito, Dor de Lis

E tempo de colheita e não há mais o sossego de admirar as dores
Apalpo pétalas e deixo que dissolvam em minhas mãos
Arranco as raízes, e espero por dias felizes
Pois há de haver o tempo de colher os amores

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Repedindo!...

pai...
muitas noites se passaram desde que te pedi colo.
lembro do soluços rasgando o silencio
lembro do silencio que aguardava uma resposta tua
da resposta lembro não.

sei que não dás pedra a quem te pede pão
e é bem possível que eu, imprudente, tenha dormido sem ouvir a fala tua,
sem saber de tua ternura.
Tenho pouca luz, pouco azeite
Pouca bagagem e pão
Pouca vida no corpo que habito.
Apenas o pó das sandálias, turva visão

Espero que faças novo barro com tua saliva
Que eu veja,
Que me tires da cidade, da água e do fogo
Pois, embora noite, meus olhos aboticados não vêem melhor o dia que vem.
Pai!... me dê colo
Se não puder agora, quem sabe outra hora!
Quem sabe outro mês?

sábado, 16 de julho de 2011

Meia Vida

O que queria mesmo era ser imprescindível
mas isso exige luta de uma vida inteira.
e agora que meia vida se foi?
é possivel ser impres...
...ciso, ...tável, ...sivo?

Ou terei que abrir mão nessa vida
dessa luta, dessa dívida
desse título, de ser bom?

Melhor ficar no combate
o bom combate

segunda-feira, 28 de março de 2011

Caminho de Volta

Quando cai a tarde
Pego o caminho de volta
Vejo tudo o que não vi na ida:
- o sorriso branco da moça bela
- o sorriso belo da mulher negra
- a árvore seca agarrada a cigarra que canta, pedindo água a mãe

Seu som me traz sede
Transforma grama seca em pensamento
Em vontade de aliviar o calor.
Uma ode a chuva
que viria ao cair da noite
quando pego o caminho de volta
e vejo tudo que não vi ainda.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sem palavras

Há tempo que as palavras se foram.
E agora? Sem elas, não sei como perguntar
Elaboro frase curtas. Sem sentir. Sem sentido.
Sem pensar se é possível sentir sem palavras.
Difícil explicar.
Por vezes recorro às canções:
"Esses moços, pobres moços...
... há se soubessem o que eu sei"
Sempre as mesmas.

terça-feira, 16 de março de 2010

Era vidro. Se quebrou

Poderia eu querer cada vez menos, um amor que exige mais
Poderia eu exigir cada vez mais, um amor que queira menos
Poderia eu, cada vez mais, amar
E podendo, teria de você apenas o que me desse
Me alimentaria com as pequenas doses para eu não ser consumido
alguns olhares, olharia
algumas fotos, veria
alguma canção, cantaria
algum beijo, e eu beijaria...
... e verteria o choro dos primeiros anos
... e deixaria de querer pouco
... e podendo, exigiria mais do que me desse
Mas ...
...“o amor que tu me tinhas, era pouco, se acabou ...”

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Após a tempestade ...

Há dias veio a tempestade
E nada de Bonança chegar
Disseram que se eu esperar ela vem...

E se não vier?
E se eu não estiver aqui?
E se não for mulher? Ainda seria bom para mim?
E se eu me cansar?
Se eu estiver em outro lugar e ela nao souber? Outro alguém pode receber?
E se estiver acompanhada e não me quiser?
E se mandar recado? E se ela estiver cansada?
E se não houver estrada que a traga aqui?
E se for falsa e eu a abraçar? E se vier, verdadeira, e eu nem olhar?
E se não chegar rápido o bastante?
E se vier outra tempestade? Terei direito a duas?

Sim, pois tudo isso pode acontecer.
Ao mesmo tempo.
Ou não?

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Por causa da mulher

ainda é cedo
e nem toda a luz no céu me traz alegria.
pois vivo alegre é na noite.
na lua.
no escuro que me anuncia sua chegada.
nessa hora de recomeço
penso no que fazer para a reconquista.
pois sei que a verei novamente, pela primeira vez.
seu sorriso? sei que terei amanhã,
um novo, novamente
em outra face, em outra fase
com outro olhar.

penso em como falar femininamente ao ouvido da mulher
gravando em sua alma de forma indelével
- “Te amo devagar e urgentemente”
“la mer...”

Sei de amanhã...
... à tarde, esperarei novamente a lua
desta vez, direi a ela o quanto está linda
direi do espaço que ocupa nesta terra árida
pedirei para não se esquecer de tudo isso.
pois é só isso... e eu não esqueço.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

tempo passando

semana passada
beijos doces desejos
mês passado
presentes querer esperança
ano passado
lembrança euforico amor
dois anos passados
silêncio saudade e dor

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Pouco Andante

Me sinto cavaleiro andante
Pouco errante, pouco errado, pouco só
Em meu inventário pouco vento, pouco falar,
Pouco tamanho, pouca voz
Pouca lágrima, pouco andar
Pouco sentir para tanta natureza
Pouca beleza para pouco olhar

domingo, 26 de outubro de 2008

Outubro

Após longa caminhada vejo a chegada de Outubro.
Outro ano se completa enquanto outro se inicia.
Terei todas as datas novamente, do natal a primavera
Terei a fala tua que se silencia, outra jornada de esperança
Terei outro dia como criança, outros choros de saudade
Não terei a mesma idade, outra água outro rio.
Terei outro desafio, outra casa a construir
Não terei aonde ir, outra lua para ver.

Terei como crescer, pois chegando Outubro
Outro ano se inicia enquanto outro se completa
Terei outra busca, outra esperança perdida
Terei outra porta aberta, tua fala de menina.
Terei nova caminhada para trás

Terei o que mais me conforta
O saber que Outubro virá, com novas datas
Outro tempo para ser Outro tempo
Outro tempo para (vi)ver

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Decisão

Desisto
Não existe a princesa que eu perseguia
Aquela que me beijaria a face, me transformaria em sapo
Não existe se quer, a Lagoa onde cantaríamos odes a lua.

Desisto da fada madrinha que me tocaria a cabeça
Aquela que me transformaria em boneco, falante
Dando-me a vida que sempre quis e me ensinando a falar verdades

Desisto do era uma vez do reino encantado

Decido que vou gostar do padrasto que não me quer
Decido que construirei o meu feliz par a sempre
Sem esperar que a estória chegue ao fim

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Cantinho

O canto que canto é silencioso
É um canto, apenas.
Um canto, do canto da minha alma.
Todo teu. Para senti-lo, no canto dos olhos.
É um canto do coração
Do canto menino desse homem que sou.
Um cantinho. Não por ser pequeno, pelo grande carinho.
Quase um canto meu, no teu canto
Que não vê canto mais lindo que o teu!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

esperar outra vez

é hora de vir e ela nao veio.
outro curso, talvez
outro rio, outra via.
talvez outro dia, outro ar.
esperarei mais um mês
findando esse tempo
renovarei a esperança
por certo ela há de chegar.

se não, esperarei outra vez
outra hora, outro mês

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Tua Imagem

Que farei da imagem tua em que minha vida habitava?
Que farei dos caminhos por onde andavas, sulcando minha terra?
E da guerra que travava para te buscar?
E das flores, do chapéu? Que farei do céu, da boca, e dos beijos que quero dar?
Que farei do colo que imaginava, já que a ida de tua imagem levou também a árvore que seria nossa sombra?
Que farei sem tua imagem, minha construção, se uma nova me apresentas e não me deixas imaginar.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Perda

sim, também perdi alguém.
depois alguém, que nem me pertencia,
e depois outro alguém, que não pôde me conhecer
perdi como se fosse minha, a vida
perdi outro dia, outro alguém na vinda
como a mim mesmo, perdi na ida
com dor que desconhecia.
e agora não há a quem contar
não há para quem cantar
nem sequer poesia de aprender perder

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Das ilusões

Das ilusões que tenho
retiro os sonhos, passados
dias calados, o frio
beijo não dado, o cenho
tez cansada, a idade
da pedra, que tenho
retiro caminhos, passados
dores do chute, dores
dos amores, desilusões.

Das ilusões que tenho, retiro tudo
deixo apenas a lua, intocada
a flor sedenta da água, que não possuo
deixo as penas, o resto e pouco que sou.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Palavra esperada

Seria serena a vida
Não fosse essa peça pregada
Não fosse minha boca calada pedindo perdão.
Dissesse eu a palavra esperada, estaríamos juntos na estrada outra vez.
Beijasse eu tua face
Pusesse teus olhos em mim, teria eu a visão da flor
Saberia o que é coração
Faria eu oração. Pediria que amasses.

Seria serena a vida
Não fosse eu quem eu sou
Não fossem meus olhos árida terra.
Houvesse eu me preparado para a guerra, a palavra esperada seria dita.
Beijasse eu tua face
Pusesse tua boca em mim, teria eu a fala do amor
Saberia o que é canção
Faria eu oração. Pediria não me deixasses.

... e serena seria a vida.

domingo, 1 de junho de 2008

Tropeço

Meu coração se apegou a um novo sentimento
E a poesia não pode me ajudar.
Nem mesmo o saber as coisas que sei.
Não me auxilia tudo o que falei, ou deixei de falar.
O tropeço fora mais forte dessa vez
E a dor mais doída
Tivesse eu olhado a pedra na estrada
Tivesse eu mais cuidado com a vida
Palavra triste não seria falada
Tristeza tamanha não seria sentida

Há lágrimas que não verto
Sou árido, e o choro poderia me aliviar
Mas o alívio seria meu, apenas
E por essa terra seca não valeria chorar.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Pudesse voltar...

A lua ainda sorria no céu quando partimos eu e a tristeza
A flor orvalhada olhava-me, chorava minha ida a outra terra
O caminho que vi não me encantou
Nem mesmo a música que ouvi.
Não me encantaram a montanha, as águas e o sol surgindo
Não me encantou o sentimento menino.
E a paz que não senti, me pedia para voltar.

Deixei que as lágrimas caíssem a umedecer minha face, essa terra insossa.
Ah! Pudesse eu ser e não estar...
Pudesse ver e não querer...
Pudesse voltar ao tanto de felicidade que tinha...
Pudesse voltar ao tanto de felicidade que dava, eu voltava.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Outra margem

Na outra margem
Paisagem bela, temperatura amena, chuva anunciada
Uma nova estrada com pedras que não conheço
Um outro começo, me levará a outro fim.

Surpreso percebo:
Não era assim que via o lado de cá, quando lá estava?
Era sim.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Prudencia

preciso não dormir
enquanto é dia
aproveitar o caminho que vejo
fazer as pazes num beijo
encher de azeite a candeia e colocá-la no velador
[esvaziar o desejo, encher-me de amor]
pois, não sei a hora
mas o noivo há de vir

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Sonhos

era um sonho
desses que agente sonha quando menino, quase inocente
um sonho onde alguém nos visita trazendo um abraço de saudade
trazendo para perto, quem mora longe
um sonho daqueles em que sorrimos dormindo
que falamos dormindo e todos em nossa casa vêem nossa face de quem sonha
um sonho daqueles que sonhamos mesmo depois de acordados
que nos acompanham durante o dia [lembranças]
durante dias, como um sonho

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Temores

Do vinho temo o sabor
Temo saber aonde irei caso o beba
Caso conceba em pecado, pecando, original
Temo a sede e o querer mais
Temo o calor

Do calor temo a fusão
Temo saber aonde irei caso me dissolva
Caso a sede me visite
Temo não haver Oasis, vento e nuvens
Temo morrer

Da morte temo o saber
O sabor das coisas, aonde irei caso não dê conta
Caso não faça o que precisa ser feito
Temo não haver tempo
Temo o temer
[pois sei das coisas que preciso saber]

Do temor...
... no temor é que busco forças.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Há tempo!...

Ah, Tempo!
Um ano se passou e eu não contei às noites, as luas
Não contei palavras ditas
Não contei as desditas vividas
Um ano passou e não contei a ninguém
Os dias, as horas, os sorrisos
Nem das estações lembrei.
Vi apenas à chegada de novembro,
O céu escuro, chuva anunciada.

Ah, tempo amigo!
Porque não se sentou comigo?
Porque insistiu em andar, quando queria eu sentar?
Porque passou, quando eu queria esperar outro tempo passar?
Porque não me deixou por dois ou seis segundos?
Prometi continuar com as rugas, idéias e fazeres
Prometi não buscar outros prazeres que me levem a morte
Prometi não pedir sorte, saúde ou prorrogação.

Tempo amigo
Deixa eu voltar ao colo
Antes que chegue o solo
Antes que seja outro o tom, o tempo
Antes que essa música chegue ao fim
Deixa!...
Há tempo, amigo...

sábado, 17 de novembro de 2007

Outros tempos

Nem sempre fomos assim
Sós, os dois.
Ela veste cetim, lê Neruda
Eu camisa e bermuda, canto e danço.
Pena de mim. Chora por me amar.
Eu, silencio sincero
Embora calada boca, olhos meus me traem
Trazem um bem, tão bem quero

....

E essa modorra que não passa.
Esse cansaço de graça que não me deixa rir.
Essa mão que pede o que possuía outrora.
O que me alegra e entristece?
O Saber. Não ser tempo de ir.

"Esses moços, pobres moços."
E essa música, que não vai embora
["Ah! Se soubessem o que eu sei”]