Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Por causa da mulher

ainda é cedo
e nem toda a luz no céu me traz alegria.
pois vivo alegre é na noite.
na lua.
no escuro que me anuncia sua chegada.
nessa hora de recomeço
penso no que fazer para a reconquista.
pois sei que a verei novamente, pela primeira vez.
teu sorriso? sei que terei amanhã,
um novo, novamente
em outra face, com outro olhar.

penso em como falar femininamente ao ouvido da mulher
gravando em sua alma de forma indelével
- “Te amo devagar e urgentemente”
“la mer...”

Sei de amanhã...
... à tarde, esperarei novamente a lua
desta vez, direi a ela o quanto está linda
direi do espaço que ocupa nesta terra árida
pedirei para não se esquecer de tudo isso.
pois é só isso... e eu não esqueço.

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

tempo passando

semana passada
beijos doces desejos
mês passado
presentes querer esperança
ano passado
lembrança euforico amor
dois anos passados
silêncio saudade e dor

Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Pouco Andante

Me sinto cavaleiro andante
Pouco errante, pouco errado, pouco só
Em meu inventário pouco vento, pouco falar,
Pouco tamanho, pouca voz
Pouca lágrima, pouco andar
Pouco sentir para tanta natureza
Pouca beleza para pouco olhar

Domingo, 26 de Outubro de 2008

Outubro

Após longa caminhada vejo a chegada de Outubro.
Outro ano se completa enquanto outro se inicia.
Terei todas as datas novamente, do natal a primavera
Terei a fala tua que se silencia, outra jornada de esperança
Terei outro dia como criança, outros choros de saudade
Não terei a mesma idade, outra água outro rio.
Terei outro desafio, outra casa a construir
Não terei aonde ir, outra lua para ver.

Terei como crescer, pois chegando Outubro
Outro ano se inicia enquanto outro se completa
Terei outra busca, outra esperança perdida
Terei outra porta aberta, tua fala de menina.
Terei nova caminhada para trás

Terei o que mais me conforta
O saber que Outubro virá, com novas datas
Outro tempo para ser Outro tempo
Outro tempo para (vi)ver

Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Decisão

Desisto
Não existe a princesa que eu perseguia
Aquela que me beijaria a face, me transformaria em sapo
Não existe se quer, a Lagoa onde cantaríamos odes a lua.

Desisto da fada madrinha que me tocaria a cabeça
Aquela que me transformaria em boneco, falante
Dando-me a vida que sempre quis e me ensinando a falar verdades

Desisto do era uma vez do reino encantado

Decido que vou gostar do padrasto que não me quer
Decido que construirei o meu feliz par a sempre
Sem esperar que a estória chegue ao fim

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

Cantinho

O canto que canto é silencioso
É um canto, apenas.
Um canto, do canto da minha alma.
Todo teu. Para senti-lo, no canto dos olhos.
É um canto do coração
Do canto menino desse homem que sou.
Um cantinho. Não por ser pequeno, pelo grande carinho.
Quase um canto meu, no teu canto
Que não vê canto mais lindo que o teu!

Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

esperar outra vez

é hora de vir e ela nao veio.
outro curso, talvez
outro rio, outra via.
talvez outro dia, outro ar.
esperarei mais um mês
findando esse tempo
renovarei a esperança
por certo ela há de chegar.

se não, esperarei outra vez
outra hora, outro mês

Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

Tua Imagem

Que farei da imagem tua em que minha vida habitava?
Que farei dos caminhos por onde andavas, sulcando minha terra?
E da guerra que travava para te buscar?
E das flores, do chapéu? Que farei do céu, da boca, e dos beijos que quero dar?
Que farei do colo que imaginava, já que a ida de tua imagem levou também a árvore que seria nossa sombra?
Que farei sem tua imagem, minha construção, se uma nova me apresentas e não me deixas imaginar.

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Perda

sim, também perdi alguém.
depois alguém, que nem me pertencia,
e depois outro alguém, que não pôde me conhecer
perdi como se fosse minha, a vida
perdi outro dia, outro alguém na vinda
como a mim mesmo, perdi na ida
com dor que desconhecia.
e agora não há a quem contar
não há para quem cantar
nem sequer poesia de aprender perder

Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

Das ilusões

Das ilusões que tenho
retiro os sonhos, passados
dias calados, o frio
beijo não dado, o cenho
tez cansada, a idade
da pedra, que tenho
retiro caminhos, passados
dores do chute, dores
dos amores, desilusões.

Das ilusões que tenho, retiro tudo
deixo apenas a lua, intocada
a flor sedenta da água, que não possuo
deixo as penas, o resto e pouco que sou.

Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Palavra esperada

Seria serena a vida
Não fosse essa peça pregada
Não fosse minha boca calada pedindo perdão.
Dissesse eu a palavra esperada, estaríamos juntos na estrada outra vez.
Beijasse eu tua face
Pusesse teus olhos em mim, teria eu a visão da flor
Saberia o que é coração
Faria eu oração. Pediria que amasses.

Seria serena a vida
Não fosse eu quem eu sou
Não fossem meus olhos árida terra.
Houvesse eu me preparado para a guerra, a palavra esperada seria dita.
Beijasse eu tua face
Pusesse tua boca em mim, teria eu a fala do amor
Saberia o que é canção
Faria eu oração. Pediria não me deixasses.

... e serena seria a vida.

Domingo, 1 de Junho de 2008

Tropeço

Meu coração se apegou a um novo sentimento
E a poesia não pode me ajudar.
Nem mesmo o saber as coisas que sei.
Não me auxilia tudo o que falei, ou deixei de falar.
O tropeço fora mais forte dessa vez
E a dor mais doída
Tivesse eu olhado a pedra na estrada
Tivesse eu mais cuidado com a vida
Palavra triste não seria falada
Tristeza tamanha não seria sentida

Há lágrimas que não verto
Sou árido, e o choro poderia me aliviar
Mas o alívio seria meu, apenas
E por essa terra seca não valeria chorar.

Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Pudesse voltar...

A lua ainda sorria no céu quando partimos eu e a tristeza
A flor orvalhada olhava-me, chorava minha ida a outra terra
O caminho que vi não me encantou
Nem mesmo a música que ouvi.
Não me encantaram a montanha, as águas e o sol surgindo
Não me encantou o sentimento menino.
E a paz que não senti, me pedia para voltar.

Deixei que as lágrimas caíssem a umedecer minha face, essa terra insossa.
Ah! Pudesse eu ser e não estar...
Pudesse ver e não querer...
Pudesse voltar ao tanto de felicidade que tinha...
Pudesse voltar ao tanto de felicidade que dava, eu voltava.

Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

Outra outra margem

Na outra margem,
o silêncio não permite que as horas passem
...

Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Outra margem

Na outra margem
Paisagem bela, temperatura amena, chuva anunciada
Uma nova estrada com pedras que não conheço
Um outro começo, me levará a outro fim.

Surpreso percebo:
Não era assim que via o lado de cá, quando lá estava?
Era sim.

Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

Prudencia

preciso não dormir
enquanto é dia
aproveitar o caminho que vejo
fazer as pazes num beijo
encher de azeite a candeia e colocá-la no velador
[esvaziar o desejo, encher-me de amor]
pois, não sei a hora
mas o noivo há de vir

Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Sonhos

era um sonho
desses que agente sonha quando menino, quase inocente
um sonho onde alguém nos visita trazendo um abraço de saudade
trazendo para perto, quem mora longe
um sonho daqueles em que sorrimos dormindo
que falamos dormindo e todos em nossa casa vêem nossa face de quem sonha
um sonho daqueles que sonhamos mesmo depois de acordados
que nos acompanham durante o dia [lembranças]
durante dias, como um sonho

Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Temores

Do vinho temo o sabor
Temo saber aonde irei caso o beba
Caso conceba em pecado, pecando, original
Temo a sede e o querer mais
Temo o calor

Do calor temo a fusão
Temo saber aonde irei caso me dissolva
Caso a sede me visite
Temo não haver Oasis, vento e nuvens
Temo morrer

Da morte temo o saber
O sabor das coisas, aonde irei caso não dê conta
Caso não faça o que precisa ser feito
Temo não haver tempo
Temo o temer
[pois sei das coisas que preciso saber]

Do temor...
... no temor é que busco forças.

Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Há tempo!...

Ah, Tempo!
Um ano se passou e eu não contei às noites, as luas
Não contei palavras ditas
Não contei as desditas vividas
Um ano passou e não contei a ninguém
Os dias, as horas, os sorrisos
Nem das estações lembrei.
Vi apenas à chegada de novembro,
O céu escuro, chuva anunciada.

Ah, tempo amigo!
Porque não se sentou comigo?
Porque insistiu em andar, quando queria eu sentar?
Porque passou, quando eu queria esperar outro tempo passar?
Porque não me deixou por dois ou seis segundos?
Prometi continuar com as rugas, idéias e fazeres
Prometi não buscar outros prazeres que me levem a morte
Prometi não pedir sorte, saúde ou prorrogação.

Tempo amigo
Deixa eu voltar ao colo
Antes que chegue o solo
Antes que seja outro o tom, o tempo
Antes que essa música chegue ao fim
Deixa!...
Há tempo, amigo...

Sábado, 17 de Novembro de 2007

Outros tempos

Nem sempre fomos assim
Sós, os dois.
Ela veste cetim, lê Neruda
Eu camisa e bermuda, canto e danço.
Pena de mim. Chora por me amar.
Eu, silencio sincero
Embora calada boca, olhos meus me traem
Trazem um bem, tão bem quero

....

E essa modorra que não passa.
Esse cansaço de graça que não me deixa rir.
Essa mão que pede o que possuía outrora.
O que me alegra e entristece?
O Saber. Não ser tempo de ir.

"Esses moços, pobres moços."
E essa música, que não vai embora
["Ah! Se soubessem o que eu sei”]

Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

Como pôde?

Vai viajar?
Lembrou-se de deixar-me alimentos?
Cuidou de livrar-me dos tormentos que tua ausência me traz?
Beijou-me o suficiente para sentir falta de ar?
Fez tudo o que lhe cabia?
Tudo que podia?
E o adeus?
Acenará com o olhar de quem volta?
O que caberia em tua bagagem?
Que hora é a viagem? Avião ou trem?
Quem sabe ainda encontro passagem?
Ah, se me deixasse
Ah, se pudesse eu iria.

Deveria mesmo é proibir-te a ida...
Onde já se viu? Partir assim, tão feliz, enquanto fico.
Não ria. Não ria.
Como pode ser feliz sem ter-me por perto?

Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

Roupa Nova

Sigo como que para o alvo
Não conheço linha reta
Experimento novos caminhos novos
Nas novas sandálias
Novas histórias além do pó,
... além do tempo
... além do templo, do tento

Mantenho-me salvo, na túnica
Despreparado para a guerra
Eu, essa terra insossa, sal da terra
Necessito mesmo de roupa nova
Sapato velho
Preciso mesmo de música.

Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Só por hoje

Só por hoje
Beijarei tua face doce com amor
Sem saber do sabor
Viverei a vida com vida
Terei de volta a ida
Onde não havia lamento na fala
E via a flor na flor.
Por hoje,
Esquecerei a mágoa esquecida
Saberei do fruto, o cremor

Só por hoje
Não farei o que quero
Não serei pequeno, menino
Não soprarei a chama subindo ao mezanino
Nem terei o sincero saber se me ama.
Por hoje,
Me terei como amigo
Calado falante
Pessoalmente espero
O mesmo
A mesma alegria de antes.

Domingo, 28 de Outubro de 2007

Mudança de tempo

Ontem, o escuro quarto me permitia ver o céu
Sabia da presença da lua, mesmo sem vê-la
Via a tempestade que as nuvens anunciavam
Entrelinhas parecendo me apontar renovação

Caminho, em um escrito, deixado pela enxurrada
Sulcos da terra árida.

Terça-feira, 23 de Outubro de 2007

Se homem feito fosse

Eu, menino,
Busco uma princesa para meus pensamentos
Como se fosse eu um sapo, necessitasse de um beijo para me transformar
Como se não precisasse ser salvo,
Como se não soubesse ser alvo,
Como se sua bela face suficiente fosse para eu amar

Eu, menino,
Recebi a chave
Mas da porta estou distante
Um poço, um fosso, uma ponte, uma torre para alcançá-la
E eu, nem cavalo tenho.
Apenas a espada
Que promove a divisão
Que não me traz paz, mas a guerra
Que me equilibraria sentimento e razão
Caso, eu menino, homem feito fosse
Caso, Eu menino Homem, homem feito, feito fosse.

Mas ai, seria outra a estória
Que eu, menino, não sei contar.

Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

Nascer da água

Ontem a chuva visitou-me
Por dentro
Matou-me a sede
Por fora
Tirou-me o calor

Trouxe-me pensamentos novos
Desses que temos quando renascemos da água e do espírito.
Eu, sem resistir,
Deixei invadissem meus olhos, suas luzes
Seus sons, meus ouvidos
E, sem medo, me pus a chorar um choro novo
Desses que temos quando renascemos da água e do espírito

Quinta-feira, 4 de Outubro de 2007

Esperança do vôo

A poesia insiste, diariamente, em caminhar a meu lado
Chega toda menina, convida e espera, sorridente, um consentimento meu
E eu, menino, não aceito
Faço rodeios, ensaio uma prosa e a despeço

Vendo-a partir, me desfaço
Retomo meu jeito árido, penso na lua e sento-me
A beira da estrada, começo a sonhar

Nesse sonho
A poesia me aparece, menina sorridente, me convida a passear ao seu lado
E eu, menino, a abraço.
Consinto, me dissolvo e vou...
Vôo de mão dada,
Do alto, vejo partir a estrada

Retomo meu jeito, sem verso nem prosa
E espero ...
E espero...
... sentado

Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

Ab Ovo

Embora noite,
Vejo melhor o dia que vem.
Há um sentido novo
Ensinando aos ouvidos, de ouvir, ouvirem
Amestrando as mãos, inquietas por um toque
Doutrinando os sentimentos, altibaixos, que ficaram

Os olhos, de ver, continuam aboticados. Fixos em tua imagem
O fato? não percebo os odores chegados de setembro
Apenas cheiro o perfume que criei para a imagem que tenho de ti
E das dores, a maior é não sentir o gosto teu

Embora noite
Há um sentido novo, Ab ovo, tomando conta de mim

Sexta-feira, 21 de Setembro de 2007

Anteparto

agora?
agora preciso ir.

malas prontas, parto amanhã
eu estéril, incapaz de gestar
necessito abjungir de minha metade
e por isso, parto
satisfeito, nutrido, ambundante de quase tudo

no inverno, a estação
aguardo a chegada de setembro.
me levem a esperança, suas flores
para não partir com dores
para que chegue novembro farto.

neste cacimbo
satisfeito, nutrido, abundante de quase tudo
espero nimboso, um canto teu

Terça-feira, 21 de Agosto de 2007

Olhando bem

Olhando bem, de perto,
vê-se a marca de nascença
a curiosidade, a criança
e todo um mundo que me habita
[as cicatrizes da infância,
brincadeiras de rua,
o beijo recebido antes do sono inocente]

Olhando, bem de perto,
notam-se os conflitos, as angústias
os valores, as conquistas
a sexualidade, a juventude
e todo um mundo que se agita
[paquera na praça,
o beijo dado com gosto
a euforia, o andar bem-posto]

Olhando bem de perto,
é possível ver as rugas
os sulcos [das lágrimas caídas],
e também outras marcas [deixadas por outras vidas]
a tez vincada, os sorrisos muitos
e todo um mundo de conquistas

Olhando, bem...
bem de perto,
percebem-se em mim, os poros, as manias
tristezas e alegrias
e toda uma vida acumulada
[o andar arrastado
o tremor das mãos]
o olhar parado
olhando a caminhada...
... bem de perto