pai...
muitas noites se passaram desde que te pedi colo.
lembro do soluços rasgando o silencio
lembro do silencio que aguardava uma resposta tua
da resposta lembro não.
sei que não dás pedra a quem te pede pão
e é bem possível que eu, imprudente, tenha dormido
sem ouvir a fala tua,
sem saber de tua ternura.
Tenho pouca luz, pouco azeite
Pouca bagagem e pão
Pouca vida no corpo que habito.
Apenas o pó das sandálias, turva visão
Espero que faças novo barro com tua saliva
Que eu veja,
Que me tires da cidade, da água e do fogo
Pois, embora noite,
meus olhos aboticados não vêem melhor o dia que vem.
Pai!... me dê colo
Se não puder agora, quem sabe outra hora!
Quem sabe outro mês?
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